O quanto nós, seres humanos sociais, precisamos ser benevolentes?

 

Padre Julio Lancellotti

    Com o recente falecimento do Papa "Jorge Mario" Francisco, descobri por intermédio de redes sociais (E minha avó) os feitos do mesmo. Missas de lava pés, idas a mundos e fundos de guerrilhas, numero incontável de bênçãos entre outros feitos da chamada benevolência. Antes que o cerebelo de alguém queime a largada, digo: este texto não é, a priori e nem em última instância, para fazer referência de nós ao falecido Papa. Nós somos seres humanos imersos no mundo e recheados de problemas, e para nós, isto é impossível.

    Mas, com base nisso, questiono-os: "O quão precisamos ser benevolentes?". Para isso, trago aqui uma humilde história pessoal. Nos períodos antecedentes ao meu ensino médio convivi com um garoto, que, na época, acha muito gente boa e parceiro. Tivemos uma grande e fiel amizade, jogávamos todo dia, brincávamos vez ou outra, conversávamos sempre que possível... enfim, era bom.

    No entanto, tempo se passou e eu fui aos poucos me afastando pois precisava me concentrar na minha vida pessoal, e com o falecimento tão recente do meu pai, criticava veementemente a maneira de agir deste meu (ex) amigo. Não queria mais jogar todo dia, brincar vez ou outra e/ou agir dessa forma, eu precisava crescer. Tratei do meu luto a ele com indiferença e me afastei de uma vez por todas.

    Certa recente vez, por entre problemas pessoais, tive que arrecadar uma certa quantia de dinheiro para ajudar alguém que amava e não tinha condições. O menino, agora homem, apareceu pra ajudar com uma grande quantia, mais do que muitos que poderiam, não o fizeram. Diante da mensagem de compaixão e empatia olhei subjetivamente a mim e me perguntei: "Da onde veio esse sentimento?". Julgar um indivíduo por seus gostos, escolhas pessoais e/ou caminhos profissionais me da o direito de subjugar socialmente alguém?

    Olha, confesso que me envergonhei profundamente, mas mais que isso, precisei aprender a empatia de novo. "Como conseguia olhar para próximos com empatia e amor e não aos desconhecidos? Isso deve ser errado". Você nesse momento talvez questione o fato do falecimento do meu pai e dos sentimentos que ali tinha, e acho correto, no entanto, não tenho o direito moral de julgar a vida do outro se nem a minha possuo dominância. Não posso olhar com indiferença e crítica a alguém que também passa por problemas.

    E ao mesmo tempo que sinto tudo isso, penso comigo: "Preciso cuidar dos meus problemas", como se o pessoal atravessasse o interpessoal. De qualquer maneira, preciso compartilhar essa minha dificuldade entre minhas contrapartes.

"Esse cara é um cara estranho, não quero falar com ele."

x

"Talvez ele passe por problemas e precise de ajuda." 

    De jeito maneira quero que vocês entendam como ser bondoso acima de tudo e qualquer coisa, isto é impossível. Mas acho que vale o questionamento sobre suas escolhas por diante suas convivências interpessoais. Ninguém é perfeito, mas também n precisamos ser maldosos.

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