O BRASIL NÃO FOI DESCOBERTO (por alguns motivos.)

 ISSO É UM DESABAFO.



Existem alguns motivos aos quais eu poderia estar escrevendo isso, mas não tem erro, existe apenas um:

A IGNORÂNCIA ME INCOMODA.



Vamos ao conteúdo.

O registro mais antigo de um mapa foi a mais ou menos 2.300 anos A.C (Antes de cristo). Regiões próximas à mesopotâmia encontrado o "Imago Mundi" produzido em argila pelo povo babilônio. Por mais que não fosse um mapa de retratação mundial, é o nosso registro mais antigo de um mapa regional.

 Falando de mapas mundi, aí sim dentro de um aspecto global, temos a "Tabula Rogeriana" que pega a eurásia e um pedaço do norte da África. E aonde eu quero chegar com isso? A grande maioria dos registros geográficos/cartográficos percorrem a europa e o norte da África, parte do motivo eram por que o mundo ao qual conhecemos como "centro" da informação era fechado. Apenas após o ínicio das grandes navegações outras partes do mundo entraram em contato com a europa centralizada e o norte da África, assim entrando para à documentação. 

 


Em 2 de julho de 1494, durante o "Tratado de Tordesilhas" (Após o conhecimento da frota de Cristovão Colombo sobre o "Novo Mundo") fica acordado que partes das chamadas informalmente de "Índias", na época, ficariam entre Espanha e Portugal. Os indícios de habitação de território "Brasileiro" datam de mais de 60 mil anos anteriores ao "descobrimento". Naquele tempo o território era divido entre 3 maiores grupos: Tupis-Guaranis, Macro-Jê's e Tupinambás (Entre vários outros subgrupos culturais). O nome "BRASIL" apereceu com esta exata etimologia em 1502 pelo "Planisfério de Cantino", uma CARTA NÁUTICA que descreve os descobrimentos portugueses da época.


 

Declavaram seu descobrimento no ano de 1500, pelos PRÓPRIOS. Mas, segundo o ISA (Instituto Socioambiental) já existiam (12 mil anos ANTES da colonização do "Brasil") de 2 a 5 MILHÕES de indígenas em território nacional. Nativos de diversas culturas, religiões, histórias etc. Dentre os nomes conhecidos, alguns são: “Embaitá”, “Etenhiritipá”, "Pindorama” e “Yvy Marãey”.

Sabe o engraçado? 

NENHUM DELES É "BRASIL".

É realmente curioso como o imaginário português cria um problema, o resolve e o coroa. Como quem se vangloria das suas próprias conquista e goza do pódio sozinho.

"DESCOBRIMOS!"

 

Semanticamente, historicamente e pragmaticamente, não há possibilidade de se descobrir algo que não existe. O "Brasil" não existia, já que o recorte de existência nacional passou a existir apenas após o genocídio, colonização e apropriação dos indígenas e de sua cultura. Existia uma terra, um povo e um lugar desconhecido. Foi descoberto o "Embaitá" ou o "Pindorama" ou quaisquer outras terminologias que façam referência ao que realmente era aquele território. Por esses motivos também é errôneo denominar o descobrimento do "Brasil" aos indígenas que ali residiam, já que, sendo prolixo, não existia "Brasil".

É importante o entendimento que um país, ou um território, é formado por cultura, e essa cultura é um retrato de história, povos, costumes, ideais, existência e permanência daquele sobre o país ou território. Se há um entendimento plano e amplo que hoje em dia os indígenas sejam considerados brasileiros, isto é, permanentes deste país, é por que houve um processo de dissolução de sua história, cultura e costumes para a adaptação forçada através da violência colonizadora.

Também não é certo indicar e fortalecer o saudosismo de uma época anterior ou passada, visto que isso de quaisquer modos não seria útil, prático, eficiente nem muito menos proveitoso. O "governo" português existia, de todo modo, como fábrica de mão de obra escravizada e sanguessuga de uma terra a eles não pertencente. Não daríamos conta da existência de modo como era feita já que somos frutos desde processo, seja ele de embranquecimento, empobrecimento ou subsistência (social, cultural ou econômica).

Dizer que o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral é apenas uma forma de afagar a própria culpa e próprio remorso de que a chacina não foi de forma alguma algo bom. O "Embaitá" continuaria existindo da sua forma, do seu jeito e dos seus costumes. Não há salvação se ela é construída e produzida de forma e moldes de destruição, se transmuta, inclusive, em imposturia.  

 

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Bibliografia:

 

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