Conto de um Sincretismo Dominical

Num domingo extremamente desconfortável, visto que já começariam minhas aulas em alguns dias, tive uma visão tão gentil sobre a vida.

No dia anterior à esse, fui ao encontro de uma amiga para um passeio no shopping. Tive conversas sobre propósito de vida e realizações pessoais. Gostei muito, já que, além de ser uma pessoa que gosto de papear, estava sentindo uma falta enorme dessas interações de amizades verdadeiras. Não é como se eu não tivesse amigos, na verdade, tenho muitas pessoais aos quais consigo e posso chegar junto. A questão é sobre pertencimento e meu lugar no mundo.

As pessoas tem suas próprias escolhas pessoais, essas que eu não consigo intervir. E muitas dessas escolhas simplesmente não me englobam. Além disso, no meu trabalho, a situação piora. Não estou tendo uma boa relação com as pessoas que gostaria de ter. Seja pelo meu jeito atrapalhado de se lidar a vida, seja pelo entendimento de que um ambiente de trabalho é um ambiente de amizades de altíssima manutenção.

Tudo isso se acumulou em um domingo de extremo desconforto. Acordo indisposto e mais chateado ainda por saber de que nesse dia tenho que sair de casa. Ao complemento da historieta, estou em um trabalho árduo de me afastar do ambiente digital, o que me transforma quase em um "grande irmão", só que do desconhecido e invisível. Largo o celular em cima da mesa, meio bruscamente, e observo a cena. Sem conversa, sem barulhos de carro, sem pensamentos estranhos, apenas a calmaria de um dia de extrema periculosidade segundo a defesa civil do Rio de Janeiro.

Nesse momento não me passa nada em específico à cabeça, absolutamente nada. E talvez você pense que isso é uma grande "encheção de linguiça", mas eu tenho um tratamento sério com "coisas na minha cabeça". Eu esqueci de tomar meu remédio pra ansiedade, mas mesmo assim consegui ter um momento de plenitude em meio à tanto caos. Isso me traz esperança e uma visão de que é possível sobreviver nesse mundo.

Nada muito além disso.

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